Touro (21 de abril a 20 de maio) - Signo de Terra da primavera
Armand Barbault
Observemos o desenvolvimento da vegetação em Touro, signo de Terra. A terra aquecida pelo impulso do signo precedente libera o sopro de vida contido durante o inverno, permitindo a fixação das partículas constituintes que fornecerão às plantas os elementos materiais de que necessitam para chegar à maturidade. Este crescimento rápido se efetua igualmente sob a exaltação da Lua que, neste signo, se encontra ligada à seiva que sobe e se expande abundantemente. A seiva e o orvalho de maio são os elementos mais ricos de que se apropriaram os herboristas e os alquimistas para banhar as plantas essenciais cuja quintessência desejavam extrair. Na prancha já citada do Mutus Liber, podemos ver o touro ao lado do carneiro, indicando que é igualmente preciso trabalhar em maio. Pelo aspecto que assume a natureza, o signo de Touro é o mais belo signo de Terra; diz-se também que ele é regido por Vênus, planeta a que estão associadas a graça e a beleza.
Este signo provê constituições saudáveis e robustas, e o animal que o simboliza exprime o trabalho lento mas progressivo, realizado sem interrupção, com paciência e perseverança. Estas são as qualidades que atribuímos aos nativos de Touro. Mas também é sabido que eles podem ter uma tendência pela a obstinação e pelo esgotamento das suas forças, contra o que é bom que sejam previnidos, pois, neste caso, eles serão como o solo rico e fértil que dá tudo o que possui e que, assim exaurido, precisará de longas digestões* para recobrar suas forças. Se atiramos demasiadas sementes, se buscamos o máximo de aproveitamento, se, por fim, esgotamos os recursos dessa terra, tão rica no começo, só então damo-nos conta de que ela já deu tudo o que tinha para dar.
Pelo visto acima, depreendemos o sentido das analogias expressas pela Tradição, em geral insuficientemente explicadas.
* Vale lembrar que a fisiologia define digestão como sendo a “cocção dos alimentos no estômago”. Logo, terra que digere é terra que processa seus nutrientes a fim de restabelecer as energias e permitir que haja, num futuro próximo, condições propícias ao renascimento da vida vegetal (cf. tb. nota explicativa #5). (Observação de Henri Carriéres)