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Escorpião

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Escorpião (24 de outubro – 22 de novembro)  - Signo de Água do outono
Armand Barbault


As folhas começam a cair e, desde as primeiras chuvas do outono, a natureza muito rápido se despoja. Sob este signo de água com tendências contrárias às de Câncer, depois da inversão devida à diminuição da temperatura e da duração dos dias, a ação da Água exercer-se-á desta vez não de baixo para cima, mas no sentido contrário. Também é o momento de preparar a terra, de dar-lhe os resíduos orgânicos que deverá assimilar, uma vez que a corrupção dos restos vegetais vai se acentuar pouco a pouco para formar o húmus necessário à regeneração.

Os alquimistas sabem disto perfeitamente, e ainda mais os Espagiristas, que voltam toda a sua atenção ao fenômeno da corrupção: este processo se denomina a chave da natureza, e, durante as operações que consistem em fazer apodrecer certas plantas a fim de separar o puro do impuro, eles cuidam para que se tornem elas enegrecidas, evitando porém que se queimem demasiado rápido, pois as cinzas não servem para a preparação de sua panacéia. É preciso observar a natureza etapa por etapa para constatar que a ação corruptiva se exerce muito lentamente, mas tenazmente, até que a água esteja abundamente presente, como é o caso durante as chuvas de outono.

Notemos que, se dizem que o outono é seco, não é por referência ao tempo, mas porque a seiva não sobe mais, o que possui um sentido totalmente diferente. Portanto o Elemento Água que nos preocupa aqui se manifesta, em sua ação corruptiva, com lentidão, tenacidade, sem descanso, com uma força passiva inacreditável, no seu desejo de destruir tudo o que existe, de reconduzir tudo ao caos, ao estado de matéria indiferenciada, a fim de que o espírito possa se liberar, se separar das matérias inertes e combustíveis como, depois da morte, a alma se desliga do corpo.

Posto sob a égide de Marte ou de Plutão*, este signo confere a seus nativos uma natureza ativa, secreta, igualmente corruptiva, capaz de combater com tenacidade, não para destruir irrevogavelmente, mas para que alguma coisa de novo e melhor possa nascer. Os nativos de Escorpião são assim aptos para os trabalhos de pesquisa, para tudo que se faz na sombra, durante a noite, em segredo. Eles agem sempre em silêncio sem que se possa descobri-los.

Este oitavo signo do Zodíaco corresponde a tudo aquilo que é chamado a morrer, a se deteriorar. Ele representa, aos olhos dos Alquimistas, a famosa operação que conduz a Matéria prima à sua primeira cor, ao negro, à mortificação. “Nada que não morre renasce”, costumam dizer, e a maneira de bem conduzir esta etapa, de fazer aparecer o Corvo, é um dos aspectos mais importantes da Alquimia.

* A primeira das escorregadas para os regentes modernos dos signos. Pedimos aos leitores deste site que esqueçam os “planetas exteriores”. (PSC)